“Falando sobre desenvolvimento inclusivo e economia solidária, o presidente do Instituto de Economia Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, e o secretário nacional do Trabalho, Paul Singer, defenderam que o Brasil acompanhe a construção de um novo padrão civilizatório que, segundo eles, está em construção no mundo. Ele alertou para o fato de que hoje as 500 maiores empresas do planeta têm faturamento equivalente a 44% do PIB mundial…”
Artigo comentado por Rogério Lessa
Publicado em: Monitor Mercantil
Para especialistas, sem regulação, empresas vão dominar a economia
O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, advertiu que, em breve, as 500 maiores empresas do planeta dominarão todos os segmentos da economia: “O PIB mundial é de US$ 60 trilhões e a riqueza circulante representa dez vezes isso (US$ 600 trilhões). Como fazer governança para esse sistema?”, indagou.
Hoje, acrescentou, o faturamento das 500 maiores multinacionais já equivale a 44% do PIB mundial. Ele defende uma nova governança mundial para o setor privado, cujo poder hoje supera o dos Estados nacionais. E reiterou que, com o brutal avanço da produtividade, bastariam 12 horas de trabalho semanais para manter a produção.
Já o secretário nacional do Trabalho, Paul Singer, defende que as multis paguem impostos em vez de assumir tarefas públicas. Ao ressaltar o papel do Estado, defendeu a geração de vagas típicas da economia solidária: oferecem mais espaço a criatividade e autonomia do trabalhador.
Ambos vêem na Educação a grande base para um novo modelo civilizatório adequado ao século XXI, no qual o setor de serviços (trabalho imaterial) responderia pela geração do maior número de empregos. Mas reconhecem que serão necessárias exaustivas lutas políticas para que as grandes corporações aceitem repartir um pouco da riqueza acumulada.
“A onda progressista na América Latina é fruto de muitos anos de devastação neoliberal. É diferente das décadas de 40, 50 e 60 do século passado, quando os progressistas ganharam força a partir do avanço econômico”, exemplificou Pochmann.
Falando sobre desenvolvimento inclusivo e economia solidária, o presidente do Instituto de Economia Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, e o secretário nacional do Trabalho, Paul Singer, defenderam que o Brasil acompanhe a construção de um novo padrão civilizatório que, segundo eles, está em construção no mundo. Ele alertou para o fato de que hoje as 500 maiores empresas do planeta têm faturamento equivalente a 44% do PIB mundial.
“Se a China não for computada, veremos que a pobreza no planeta aumentou. Estamos diante do desafio de construir um novo padrão civilizatório. E a humanidade tem condições de financiar isso, devido ao salto fantástico na produtividade”, afirma Pochmann. Para ele, basta capturar o enorme excedente gerado hoje em dia. “Mas não sei se isso será possível politicamente”, ressalva, cobrando uma nova governança para o desenvolvimento. “O poder não está mais nas mãos dos países, mas nas grandes empresas. Para esse sistema ainda não há regras. Em breve, apenas 500 companhias dominarão todos os setores”.
O presidente do Ipea aposta em um novo padrão de sociabilidade, baseado na Educação. “A construção do padrão de sociabilidade no Século 20, que começou ainda no século anterior, com a passagem da base agrícola para a Revolução Industrial, foi feita com muita luta. O dia do trabalho (1º de maio) tem 123 anos e marca a morte de operários pela redução da jornada”, lembrou. Leia o resto do artigo »