Petróleo do pré-sal, doença holandesa e portos
Postado em 15 de Setembro de 2008
Por: Luciana Sergeiro
A apropriação e o uso de recursos ainda não existentes é o que mais se debate. Bota governistas e oposicionistas em bafafá, expõe facções do governo ao sol, empurra setores empresariais de cá para lá, põe estados e municípios brigando entre si e, subindo meio tom, incentiva tenores liberais a bater no governo sem dó.
Não há que se entregar a um suposto risco da iniciativa privada o manancial já identificado. Diretamente, pela regulação e pelas parcerias com o capital privado interno e internacional, a ação do Estado na exploração será expressiva, necessária, recomendável e duradoura.
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Publicado em: Gazeta Online
Por: Luiz Guilherme Piva
A questão não é criar ou não uma estatal, mas como agregar valor ao maná petrolífero
Há, entre tantos outros que se acumulam às vezes sem resposta - aparecem, tiram nosso sono, somem, retornam, são alvo de panacéias, somem de novo e talvez nunca retornem: Rodada Doha, prisão de banqueiro e João Gilberto são exemplos recentes -, dois assuntos que requerem atenções, estudos e projeções sobre as perspectivas brasileiras. Um é subterrâneo, mas flutua nas notícias como um transatlântico: é o petróleo da camada pré-sal. Outro está no nível do mar, em várias praias, mas é como se existisse submerso e glacial - só dando nos noticiários tropicais exoticamente, como baleias mortas: são os portos.
Há pouco ainda a se falar com propriedade sobre o petróleo. Sabe-se que é muito, que é caro extraí-lo, que poderá nos tornar grandes exportadores e gerar recursos cuja utilização já é alvo de polêmica. Mesmo assim, curiosamente, este último ponto - a apropriação e o uso de recursos ainda não existentes (uma espécie de “swap” mineral reverso ou, no vernáculo financeiro, ovo no útero da galinha) - é o que mais se debate. Bota governistas e oposicionistas em bafafá, expõe facções do governo ao sol, empurra setores empresariais de cá para lá, põe estados e municípios brigando entre si e, subindo meio tom, incentiva tenores liberais a bater no governo sem dó.
A julgar pelas falas do governo (com exceções), porém, os principais objetivos e os maiores cuidados parecem sensatamente presentes. Não há que se entregar a um suposto risco da iniciativa privada o manancial já identificado. Diretamente, pela regulação e pelas parcerias com o capital privado interno e internacional, a ação do Estado na exploração será expressiva, necessária, recomendável e duradoura. Seria preciso muita imaginação teórica para modelar um caso de equilíbrio concorrencial nesse mercado - mas não duvide que alguém o tente. Leia o resto do artigo »
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