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Postado em 23 de Dezembro de 2008
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Postado em 23 de Dezembro de 2008
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Postado em 22 de Dezembro de 2008
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Postado em 22 de Dezembro de 2008
Por Carlos Eduardo Carvalho*
A vigorosa intervenção estatal no enfrentamento da crise financeira nos países centrais deu lugar a avaliações de que o chamado neoliberalismo estaria derrotado. Não é assim. O que se convencionou chamar de neoliberalismo nunca pressupôs Estado fraco nos países centrais e nunca o enfraqueceu. A receita era para as periferias do mundo, onde encontrou adeptos fervorosos, com resultados quase sempre muito negativos.
Nos países centrais, a onda neoliberal desencadeada 30 anos atrás buscou e conseguiu ampliar a capacidade de intervenção discricionária do Estado, e não o oposto. Tratava-se de liberar o Estado de compromissos com a democracia e com os direitos sociais e econômicos da maioria dos cidadãos. Nada de Estado fraco! Ao contrário, Estado ainda mais forte e mais ágil para cuidar dos interesses da grande finança, do grande capital.
É exatamente o que ocorre agora. Diante de grave crise financeira, a principal forma de intervenção estatal é a emissão de grandes quantidades de moeda, para inflacionar mercados ameaçados pela forte desvalorização de ativos e para impedir a quebra de setores produtivos inteiros. A “injeção de liquidez”, eufemismo para ocultar a emissão monetária, demonstra a força do Estado nas economias centrais, e por mais de um motivo relevante.
Um deles é a capacidade de colocar dinheiro público em circulação em quantidades inusitadas e de forma discricionária, sem ter dúvidas de que essa moeda será aceita pelo sistema econômico e pelos cidadãos. Nos países centrais, os governos contam com demanda garantida pelo seu dinheiro quando decidem ampliar a oferta. Nesses momentos, simplesmente ignoram teses e dogmas sobre a necessidade de regras e de evitar a discricionariedade na conduta do setor público. Estas teses e dogmas ocupam intermináveis preleções e modelagens matemáticas nas universidades que seguem os cânones do mainstream econômico, mas de nada servem em momentos de crise. Nos países centrais, as elites intelectuais, políticas e financeiras sabem que esta produção acadêmica de suas universidades não serve para nada nos momentos em que é necessário tomar decisões com grande grau de incerteza.
Outro motivo, igualmente relevante, é a capacidade de ocultar a natureza do que está sendo feito. O debate público sobre a crise e o noticiário da imprensa evitam sistematicamente a palavra “emissão”. Fala-se de “injeção de liquidez”, como se houvesse dinheiro em um cofrinho nos Bancos Centrais, pronto para ser inoculado na economia. A palavra emissão não pode ser pronunciada. Aceitar que se trata de emissão enfraqueceria o dogma da “austeridade monetária e fiscal”, tão importante para disciplinar as elites políticas e intelectuais dos países da periferia.
A capacidade de disciplinar a semântica, de selecionar as palavras utilizadas para discutir a crise, delimita o campo de discussão e as alternativas que entram em disputa. Afinal, por que não se poderia emitir dinheiro à farta para garantir seguro-desemprego para todos os cidadãos atingidos pela crise? Ou para socorrer os que perderam suas casas? Ora, isso seria emitir dinheiro e provocar desequilíbrio fiscal e inflação, ou risco moral. Fazê-lo para bancos e mercados é outra coisa, é “injeção de liquidez”.
Essa força do Estado, contudo, não significa que o neoliberalismo tenha sido uma fantasia, uma figura de retórica. Ao contrário, trata-se de um ideário muito forte e poderoso, gestado, como se sabe, em reação aos avanços da democracia e dos direitos sociais e econômicos depois da Segunda Guerra.
O neoliberalismo realmente existente, contudo, não foi uma volta ao passado liberal. O prefixo “neo” se justifica inteiramente por se tratar de liberalização com Estado forte e intervencionista, capaz de atuar na área econômica de forma ampla, discricionária e seletiva, como agora, e capaz também de abandonar áreas em que intervinha fortemente, como os direitos sociais e econômicos, apontados como impossíveis de manter por conta da chamada “globalização”. Trata-se de uma obra de engenharia social e política impressionante, em que a ação do Estado é ocultada e é designada pelo que não é.
O neoliberalismo é forte por ser um paradigma amplo e poderoso, mas também muito flexível. Muitas vezes se afirmou que o ideário neoliberal significava caminho único e sem alternativas. Essa afirmação é caso típico de meia verdade: o neoliberalismo é ideologia única, sim, mas capaz de abrigar políticas econômicas as mais variadas. Basta lembrar o que fez o governo dos EUA e seu Banco Central nos últimos oito anos, políticas agora criticadas pelo que tiveram de original e de polêmico, em meio à adoção de novas políticas originais e polêmicas.
O paradigma neoliberal continua pautando os debates sobre o enfrentamento da crise e sobre as mudanças nas instituições e nas políticas econômicas. Não se cogita rever a precarização do trabalho, por exemplo, ou o direito dos Bancos Centrais de emitir dinheiro e comprar ativos desvalorizados sem prestar contas a ninguém, ou a responsabilização dos governos centrais pelos danos que os capitais especulativos trazem aos países periféricos com a desregulamentação financeira.
A crise atual é provavelmente a maior e mais grave desde a depressão dos anos 1929-1933, mas felizmente ainda está muito distante daquela em termos de efeitos econômicos e sociais. As semelhanças são fracas e há a solidez do dólar como reserva mundial. Pode ser este um motivos para ainda não ter dado lugar a questionamentos fortes sobre os paradigmas de política econômica dominantes. Para tanto, talvez seja necessário um agravamento ainda maior dos problemas, a ponto de tornar insuficiente a aplicação desordenada de receitas aprendidas décadas atrás.
Ou talvez as idéias novas não surjam porque a crise ainda não despertou conflitos políticos graves. Até agora as reações das vítimas são tímidas e localizadas. A força do paradigma neoliberal continua ajudando a manter a ordem, enquanto as elites políticas centrais e a grande finança mundial definem políticas para conter os problemas e preservar seus interesses.
*economista, é professor da PUC/SP - cecarv@pucsp.br 11/12/2008
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Postado em 19 de Dezembro de 2008
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Postado em 18 de Dezembro de 2008
Fonte: MONITOR MERCANTIL
Liberar Estado para investir
No encenrramento da cúpula da AL, Lula defende intervenção
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, no encerramento da Cúpula da América Latina e Caribe (Calc), que os países da região, para enfrentar a crise financeira internacional, devem reforçar a intervenção do Estado na economia e não devem optar pelo ajuste fiscal.
“O Estado, que não valia nada, passou a ser o salvador da pátria”, disse Lula, referindo-se às medidas adotadas pelos países desenvolvidos e por nações latino-americanas que vêm investindo dinheiro do Estado em bancos privados e no setor produtivo.
Segundo o presidente, o Estado deve ter um papel cada vez mais relevante, neste momento, em investimentos em infra-estrutura, no setor habitacional e em todos os que geram empregos. A crise financeira internacional dá uma oportunidade, na avaliação de Lula, para o mundo definir o modelo econômico que pretende adotar.
Em uma crítica a países da Europa e aos Estados Unidos, Lula afirmou que os recursos que eles injetaram na economia “não chegou à ponta”, porque não foi destinado à produção, e sim “para salvar o sistema financeiro da quebradeira”.
Lula afirmou que, mesmo que nenhum resultado tivesse sido alcançado nas quatro reuniões de cúpula da América Latina e do Caribe nos últimos dois dias, valeu a pena o ingresso de Cuba no Grupo do Rio, que a partir de hoje conta com 19 sócios.
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Postado em 17 de Dezembro de 2008
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Postado em 16 de Dezembro de 2008
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Postado em 15 de Dezembro de 2008
Por Willian Luiz da Conceição e Hernandez Vivan
O capitalismo em todo momento histórico carrega consigo uma série de contradições em relação ao seu processo produtivo, entre ele e a relação de superprodução e o antagonismo entre trabalho assalariado e o próprio capital. Essas contradições são evidenciadas historicamente através principalmente de crises e guerras, como a crise deflagrada de 1815 a 1825 (primeira grande crise do capital comercial), a depressão de 1929, seguida pela segunda Guerra Mundial, Guerra Fria, crise do petróleo etc. Crises e guerras evidenciam um processo de necessidade de expansão, mas principalmente de degeneração do sistema de exploração capitalista e de suas diversas políticas para tentativa de sua sustentação, no caso atual, das políticas neoliberais.
Depois de meses constatamos diversas recessões, concordatas, quebras de empresas, desemprego generalizado, greves e ocupações de fábricas pelos trabalhadores, concordatas de financeiras e bancos em diversos países do mundo, como a American Home Mortgage (AHM), uma das 10 maiores empresas do setor de crédito imobiliário e hipotecas dos EUA, representando a falência das políticas financeiras baseadas na especulação financeira. Na Europa as demissões chegam a 10 mil por dia e o Canadá perdeu 70.600 postos de trabalho em novembro, devido ao corte de funcionários no setor manufatureiro, demonstrando o que o velho Marx já afirmava em diversos textos: o capital “senhor ao mesmo tempo elegante e bárbaro, arrasta consigo para a cova os cadáveres dos seus escravos, numa verdadeira hecatombe de operários que naufragam nas crises”.
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Postado em 15 de Dezembro de 2008
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Postado em 11 de Dezembro de 2008
SÓ BC DO BRASIL OPTA POR RENTISTAS E NÃO REDUZ JUROS
Depois de quatro horas de reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter, por unanimidade, a taxa básica de juros em 13,75% ao ano, sem viés. Em breve comunicado, o Comitê de Política Monetária (Copom) citou o aumento das incertezas, mas não mencionou claramente a piora da crise global de crédito.
A decisão significa uma desautorização pública do presidente Lula, que, esta semana, voltou a reclamar dos juros elevados. Além disso, o BC brasileiro é o único do mundo a não reduzir juros, mesmo quando todos dados apontam para uma forte desaceleração da economia no quarto trimestre.
Segundo o IBGE, o emprego industrial caiu 0,2%, em outubro, frente setembro, na série com ajuste sazonal. Com relação a outubro de 2007, o total de ocupados na indústria voltou a crescer (1,6%), mas a taxa confirmou a desaceleração já observada no terceiro trimestre deste ano (2,8%, 2,6% e 2,1%, respectivamente, em julho, agosto e setembro - sempre na comparação com igual mês do ano anterior).
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